Luta dos Tumbalalás

Luta dos Tumbalalás
"Sempre que você percebe a sociedade em conflito com a sua natureza, escolha a natureza, não importa o custo. Assim você nunca será um perdedor."

terça-feira, 26 de abril de 2016

Organização Social e Política

A tribo Tumbalalá, se divide em núcleos domésticos, que são autônomos e que se ajudam economicamente entre si através do plantio de “meia”, baseados em critérios de parentesco e de afinidade. Quando se fala em matrimônio, ocorre entre primos de algum grau, mas não é de fato uma regra. As famílias acabam por constituir núcleos endogâmicos que constituem hoje a base para a formação de unidades políticas diferentes entre os Tumbalalá, ainda que para se pertencer a um núcleo político, não existem critérios fixos e nem pelo parentesco.
A organização política da tribo indigena Tumbalalá, tem como figuras líderes: o cacique e o pajé. O papel de chefia é exercido pelo cacique, no que se diz respeito aos assuntos de interesse coletivo, atuando como articulador interno da mobilização coletiva e como representante externo, porém não tem importância na esfera doméstica das famílias.
Para compreender a formação política dos Tumbalalá, por meio de seus grupos políticos é necessário entender a importância que a atividade ritual do toré tem para eles. Os Tumbalalá edificaram sua história como uma comunidade indígena, diferente das demais tribos indígenas com quem mantém relações, através do espaço do toré, focando nesse ritual tanto no momento da revelação da aldeia tumbalalá pelos encantados nos anos 40, quanto no desenvolvimento político do grupo, e na mobilização coletiva no final dos anos 90.
A participação dos Tumbalalás em circuitos regionais de trocas de rituais e política é permitida pelo toré, que permitem a etnogênese Tumbalalá. Os encatados que participam dos rituais tumbalalá são oriundos de aldeias que os mesmos mantêm relações históricas, ou quando não são ex-lideranças destes grupos que “foram para o encanto”, e continuam a desempenhar seu papel de conselheiros, agora no plano sobrenatural. Devido ao fato da importância em relação ao domínio ritual, os grupos políticos tumbalalá são melhores entendidos enquanto núcleos político-rituais.
Existem dois núcleos político-rituais, que desenvolvem particularmente os rituais nos terreiros do toré da Missão Velha e do São Miguel, contudo, auxiliam-se politicamente nos pontos decisivos. Sua configuração política informal torna mais fácil o trânsito de pessoas entre eles, o abrandamento nos critérios de pertença e o baixo nível de conflito.

Larissa Ferreira de Carvalho
           Isabele dos Anjos da Costa



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